Paola Caumo (34 anos)
Porto Alegre/RS
paolapoa@hotmail.com














Paola Poesias


27/12/2003 02:23

Lembrança do lançamento do livro de contos
"Momentos da Vida" do amigo Paulo Câncio


conto "A CHUVA"

Aquela cidade tinha paisagens bem contrastantes. Casebres miseráveis, construídos em encostas, habitados por pessoas acomodadas a vida, estagnadas; muitas oportunidades de melhora haviam sido recusadas.
Prédios imponentes de propriedade em sua maioria de um único homem, Sérgio Pinheiro da Silva – de origem pobre, agora com cinqüenta anos de idade, solteiro, solitário, muquirana, infeliz.
Vivia neste cidade o padre Antônio Lima, que muito lutara para melhorar a vida dos moradores dos casebres, sem êxito – não queriam ser ajudados. Pouquíssimos aceitaram a mão que ele lhes estendeu. Conversou muito com Sérgio Pinheiro, na esperança de conseguir ajuda material para os pobres e ajuda espiritual para o próprio Sérgio que em um ponto não contrastava com os moradores dos casebres - não queria mudar. Antônio estava desanimado com os resultados de seu trabalho, sua fé estava abalada. Um novo seminarista, Diego, estava reacendendo a chama de seu entusiasmo.Parecia conhecer cada um de seus atos de bondade grandes ou pequenos. “Não deve desvalorizar sua obra”, dizia.

Um dia, uma forte chuva caiu sobre a cidade. Muitos casebres deslizaram. Alguns se feriram; outros, perderam muito do pouco que tinham.Muitos moveram-se, em um ato de desespero, para a fonte de luz que até então vinham ignorando - a igreja. Pessoas que circulavam pela cidade, entraram na igreja para se abrigarem da chuva. Dentre elas, Sérgio Pinheiro da Silva.

O padre foi pego de surpresa. Muitas pessoas ali estavam doentes e precisavam de um médico. Como acomodar e cuidar de tanta gente?
- Façamos nossa parte, padre. Deus fará o resto - disse Diego
Nunca a ajuda de Antônio foi tão bem recebida. Aqueles que entraram para se abrigar da chuva foram envolvidos no processo. Os ex moradores das encostas ajudavam os que estavam em pior situação. Diego
andava de um lado a outro, plantando entusiasmo.

Sergio experimentou naquele dia uma felicidade que ele não recordava mais como era. Sentiu-se útil. Viu a miséria das pessoas. As palavras que o padre depositara em sua mente começavam a fazer sentido. Uma pequena resistência lhe impedia de falar com o padre .Diego, como que adivinhando, provocou um encontro entre os dois.
- Quero usar o meu dinheiro para ajudar esta gente padre.

A “Tragédia” despertara os moradores das encostas para a possibilidade de uma vida nova. Toda sabedoria doada pelo padre começava a ficar clara. O fato de ajudarem-se entre si fez com que se dessem mais
valor. Não iriam reconquistar o que perderam. Conquistariam uma vida melhor.
- A chuva foi uma dádiva divina – comentou, depois, o padre com Diego.
- Realmente foi ,padre Antônio. Agora tenho que partir.
- Partir ? Sua vocação religiosa é excepcional. Você trouxe luz.
- Foi a minha missão. Eu sou um anjo enviado por Deus para restaurar a sua fé e ajudar na realização de seu sonho de tornar a vida do próximo melhor.
Diego desapareceu

enviada por Paola






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