Paola Caumo (34 anos)
Porto Alegre/RS
paolapoa@hotmail.com














Paola Poesias


27/12/2003 03:35

TEU SILÊNCIO
Paola Caumo

Como num pássaro ferido
Teu silêncio carrega dor...
...A dor de não mais poder
Cantar ao mundo a alegria
A esperança, a beleza

Teu silêncio evidência
A morte dos sonhos
E teus grunhidos são um
constante pedido de socorro
Ora disfarçados em gentilezas
Ora demonstrando toda tua ira

Teu silêncio esconde
Um coração sangrando
E por seus filetes
Escorregam algumas palavras:
Resistência de teu ser
À morte que anuncias

Teu silêncio faz muito ruído
Partilhando o vazio presumido
A mágoa e o desdém
Ao perverso da existência

Teu silêncio tatua espaços
Que por mais que descreias
Ainda fazes teus.

26/dezembro/2003
Porto Alegre



Fazem-me companhia minhas grandes amigas poetas,lisieux e Angela Lara

O MEU SILÊNCIO
lisieux

O meu silêncio tem a delicadeza
das frescas aragens de primavera
da dança das borboletas ao redor das flores
que desabrocham no sopé dos montes...

O meu silêncio tem a força das marés
que arrebentam nas pedras das praias desertas
dos vendavais que derrubam os arvoredos
e das tempestades que assolam as cidadelas...

O meu silêncio tem em si a dor do parto
e a da partida...
A dor da guerra e a da derrota
e a incomensurável dor da despedida...

O meu silêncio tem a beleza da manhã nascente
ou do sol poente, que anuncia a noite
o brilho das estrelas e da lua
e a solidão da abissal escuridão...

O meu silêncio tem a calma de um riacho
a sonoridade de uma cachoeira
as cores do arco-íris, na estiagem
e a luminosidade de um raio de sol...

O meu silêncio vai ao teu encontro
é companhia nas noites de frio
é aconchego e paz nas madrugadas
doce carícia que te percorre a face...

O meu silêncio fala tanto quanto a voz
fala de mim, fala de ti, de nós
fala da vida, da dança das idades...
fala de amor... e chora de saudades.

BH - 27.12.07

Blue Eyes - http://lisieux3.blig.ig.com.br

NOSSO SILÊNCIO
Angela Lara

Eramos sol, no meio da madrugada...
Nossos sons ecoavam em entremeios...
Eramos a paz tão perseguida e desejada
Antecipando um amor cheio de anseios...

Eramos o sino que badalava ao convite
E como promessa, orávamos no silêncio
Eramos o dogma de um amor triste
Eramos náufragos de um sonho derradeiro.

Hoje o silêncio é nosso eterno companheiro
Sei que nada será como a última alegria
E nada mais fará revelar-me por inteiro...

Mas o consolo me faz ser prisioneira
De um amor prometido em tardes frias
E hoje é a marca do nosso eterno silêncio...

Porto Alegre/RS - 27/12/2003 13:36 hrs

enviada por Paola






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