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01/01/2004 22:10
DEPOIS DE TUDO RENASÇO
Paola Caumo
Eu, que vi de perto o fim da esperança,
que vivi dias de extremo vazio,
sem flores, sem mar, sem cores.
Eu, que vivi jornadas de puro pranto,
e nenhum acalento para minha alma,
rochas cinzentas explodindo em mim.
Eu, que via todos passar por mim
sem poder tocá-los, sentindo-os
escapar por entre meus sentimentos.
Eu, que perdi a vergonha de não ser perfeita,
e me considerei a mais esdrúxula das criaturas.
Eu, que pedi socorro a médicos e curandeiros,
a todas as famílias que encontrei nessa vida,
e a ajuda sempre escorria por minhas veias
sem me dar a cura tão sonhada.
Eu, que vi o nada flutuando em mim
furtando-me a vida em cada ferida .
Eu, que esqueci todos sonhos e por mais
que quisesse sonhar meu desejo era nulo.
Eu, que vivi nessa dor que parecia
tomar conta de tudo.
Depois de tudo...
...renasço para uma nova vida,
com todas as agruras presentes,
mas não mais donas de mim.
Renasço para a minha beleza e a ternura
presente nos pequenos gestos essenciais.
Renasço para o trivial necessário e o
sublime sempre presente no éter do sentir.
Renasço simplesmente para o amor.
28/dezembro/2003.
enviada por Paola
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