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20/02/2004 00:27
NÃO ME NEGO À LOUCURA
Paola Caumo
Oh, adorável loucura,
Leva-me para os teus braços!
E arranca-me desse lugar de dor
E penosa realidade!
Sim! Tu que és a salvação,
Dos soldados em retirada,
Dessa vida por demais massacrante,
Leva-me para os teus labirintos,
Aonde as esquinas sem nexo
São remédio para o insuportável caminho!
Mostra, a quem tenta entender-te,
Que somos de outro planeta
E que viajamos com os cometas,
Buscando a beleza sem fim no cosmos
Desta vida obsoleta!
E diga,
Que não queremos anestesia,
Que nos deixem à revelia,
Deste mundo que criamos!
Não queremos ser normais,
Não queremos ser iguais,
Deixem-nos ser diferentes,
Mesmo no ranger de dentes,
No mais forte dos pesadelos.
Sanidade dói demais,
Para quem não suporta o sentir
Que carrega dentro de si...
Deixem-nos, no mundo das artes,
Dos desajustados, dos desassociados,
Não queremos a hipocrisia,
Essa falsa alegria
(Sorriso cínico, viagem autorizada),
Não somos foras-da-lei,
Nascemos com DNA marcado,
De sentimento exacerbado!
Ó loucura,
Protege-nos do mundo!
Tu que nos aceitas vagabundos,
Com todas as mazelas que a
Sociedade condena e reproduz,
Com títulos e honrarias,
Deixa-nos ficar aqui!
No lugar dos sem-lugar,
Antes que o espelho da
Insanidade o atravesse
E com fúria crie um novo Aldol.
19/fevereiro/2004)
ACOMPANHA-ME NESSE POETAR A QUERIDA LIRIA PORTO
ao hospício
líria porto
ela é louca louca louca
não coordena mais nada
ainda escreve com pena
arranca as penas da asa
ela é louca
só bebe água da chuva
e em seus olhos de louca
correm gotas
enxurradas...
ela é louca louca de pedra
isso eu garanto a ti
beija as pedras fala com elas
tem cuidado com essa louca
ou pelo menos tem pena...
nas noites de lua cheia
pendura-se aos parapeitos
estufa o peito e voa
porém as penas das asas
ela arranca quase todas
só falta um dia essa louca
jogar-se com as suas penas
não sobrar nenhuma pedra
nenhuma asa
nenhuma louca
nada...
enviada por Paola
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